Os maiores genocidas da saúde: Governador e Prefeita

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Por Marcelo Oxley, empresário

“Não tem como expandir mais os leitos. Até porque 60% das pessoas que vão para a UTI infelizmente não sobrevivem. Leito não é garantia de não perder a vida”. Eduardo Leite – Governador do Rio Grande do Sul.
Começo o texto com esta declaração, absurda, de um governador.

A infelicidade é tanta, nestas linhas, que fico me perguntando: “será que temos um novo ‘Deus’ que vai dizer a hora exata em que morreremos?” “E a vida dos outros 40%, que então segundo o seu pensamento poderão sobreviver, não vale de nada”?


A falta de hombridade deste cidadão revoltou o Estado. Não seria mais honesto dizer que neste momento não há dinheiro para a saúde? Que os valores existentes foram gastos com outros compromissos financeiros do Estado? Que uma das suas promessas de campanha era pagar em dia os servidores (que devem sim estar pagos) e agora, vejam bem, ele conseguiu?


Eduardo Leite, presidenciável, já está em plena campanha política para 2022. Escancaradamente utiliza os vários pontos linkados à saúde como o seu principal pilar. Em seus discursos um nome não lhe sai da cabeça: seu principal rival, Bolsonaro (que de boca fechada é um poeta).


Estamos há pouco mais de um ano com os mesmos problemas e o nosso governador não consegue uma solução. É bem verdade que o Brasil atravessa as mesmas dificuldades e que o brasileiro, lamentavelmente, não ajuda. Porém, não fortalecer o sistema de saúde, para este caos, é uma falta de gestão fantástica e ao mesmo tempo irracional.


Aqui por Pelotas, através do seu bonequinho de fantoche a prefeita, a situação não é diferente. Mesmo quando ela poderia realizar algo que não precisasse do seu “amém”, ela não fez. Por medo, por ordem ou para não o perder em campanha política, respeitou todos os seus anseios sem titubear e fez exatamente o que ele fez, inclusive utilizar dinheiro da saúde para liquidar dívidas atrasadas. Você se lembra daquela antiga brincadeira do “morto e vivo”, “senta e levanta”? Na Princesa do Sul ainda teremos alguns capítulos.


A nossa cidade também está passando por um colapso na saúde. Decadência que permanece desde o tempo do tão falado Hospital Emergencial, o qual não chegou a ser inaugurado, o qual serviu apenas para levar muito dinheiro dos cofres franzinos da prefeitura.


O nosso governo tem o prazer ou desprazer de se superar no quesito Lockdown. Na última sexta-feira fomos surpreendidos, da forma mais covarde possível, com mais um. Mas, este com uma pitada extra de pavor, pois foi “organizado” em algumas horas. Se a prefeitura queria um pouco mais de desordem ela conseguiu em grande estilo: a população não sabia como agir, não houve um prévio aviso, filas quilométricas foram formadas nos mercados, os caixas não tinham dinheiro, a correria tomou conta das ruas, enfim, sentimento de terrorismo desnecessário!


Abro um parágrafo para comentar sobre uma cena que me deixou muito triste, com uma sensação plena de impotência: uma briga na fila de espera, sim fila de espera, de um grande estabelecimento que, coincidentemente, possui uma rótula “todinha” sua.


O despreparo deste governo é tão explícito que em certas ocasiões, se esconde em emendas de deputados como se elas não fossem uma obrigação ou não pudessem vir se a bandeira partidária não fosse a mesma. Pelotas precisa ser pensada sempre em primeiro lugar, independentemente do partido.


Governador e prefeita: numa empresa quando há uma crise precisamos atacar, sem limites, o problema. Ou lutamos bravamente ou a dificuldade deverá nos vencer. O nosso Estado e município não são empresas, mas vocês deveriam focar na saúde. Esta é a nossa maior adversidade no momento.


É dever e obrigação de vocês, sim, trazer mais leitos de UTI/Covid. É dever e obrigação de vocês, sim, remunerar de forma diferente os profissionais da saúde. É teu dever, governador, ir atrás das vacinas que estão disponíveis. Se o presidente dificultar, sejas homem, estufe o peito e vá atrás. Só não utilize este ponto para uma “promoção presidencial”. Os gaúchos merecem mais. Os gaúchos têm este direito. Os gaúchos estão morrendo.


Vocês utilizaram verbas de forma equivocada, para sanar dívidas que não conseguiram honrar. Vocês têm uma boa parcela de culpa em tudo que está acontecendo. Não é hora de se esconderem, esquivarem. Vocês deveriam responder um processo de responsabilidade, sim.
“A César o que é de César”. “À saúde o que é da saúde”.

6 respostas

  1. ele tirou um trecho da fala do governador, onde ele diz que os investimentos em UTI são importantes até porque salvam 40% de vidas. Começou o texto com uma meia verdade. Ou seria uma meia mentira?

  2. Excelente texto! Parabéns!
    Profissionais de saúde não querem ser chamados de heróis agora… há anos buscam um reconhecimento que nunca veio, num sistema de saúde manipulado e ineficaz…
    Sempre faltaram leitos…
    Sempre faltou dignidade para quem está doente…
    E agora, um implemento neste caos, numa ditadura disfarçada 😥

  3. Extremamente lúcida a frase dita pelo governador e colocada no início deste texto. Infelizmente, analisada fora de todo o contexto, serve para varias interpretações equivocadas. A criação de mais leitos de UTI e de leitos de enfermaria para COVID, com certeza auxiliará, é mais uma chance de luta pela vida, mas não garante a triste estatística do momento – a elevadíssima letalidade entre os que vão para uma UTI! O prognóstico dos casos que complicam ainda é muito ruim. Precisamos que as pessoas não se infectem! Precisamos diminuir as chances de ocorrer a infecção pelo vírus! Remunerar melhor profissionais da saúde é importante, mas não garantirá atendimento de qualidade ou qualificação para o atendimento específico de UTI (que é uma especialidade). Os que atuam neste momento estão dando o máximo de si. Mas não temos muito mais profissionais especializados na área que possam ser chamados, mesmo que estimulados por uma melhor remuneração. Óbvio que a crise econômica, que não é somente local e nacional, angustia, assusta e necessita de intervenções urgentes. Investir em prevenção, para diminuir o número de infectados, com adoção de medidas de proteção e de higiene em massa, contribuirá para a diminuição real de doentes graves. Aumentar a testagem visando diagnóstico e isolamento precoce, idem. Melhorar o monitoramento dos casos positivos e de sua rede de relações é outra ação de extrema importância. E MANDATÓRIO INVESTIR NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E NA VACINAÇÃO IMEDIATA DE TODA A POPULAÇÃO. O Governador e a Prefeita estão de parabéns pela coragem de suas decisões.

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