VISÃO DE FUTURO: COMO DESENVOLVER UM NOVO LARANJAL?

Praia-do-Laranjal-Pelotas

Por Alexandre Barum, administrador de empresas

Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano que estabeleceu uma proposta conhecida por hierarquia de necessidade. Maslow definiu cinco categorias de necessidades humanas: fisiológicas, segurança, afeto, estima e as de autorrealização. A base da pirâmide relaciona-se com as necessidades mais materiais, como comida, por exemplo, e o topo com as necessidades mais abstratas, como ter uma filosofia, por exemplo.


Em função disto, a administração estabeleceu um triângulo com três camadas para visualizar o planejamento, onde a base são as decisões do dia a dia, passando pelas decisões táticas (geralmente de um ano) e as estratégicas (geralmente de 5 anos). Há algum tempo, em uma palestra em Curitiba, afirmei que deveria haver uma camada superior, a filosófica, onde a empresa se definiria como tal. Claro que os administradores ortodoxos não gostaram. Quanto mais baixo o nível de decisão, mais envolvimento. Mas quanto mais alto, maior o impacto.


Quem não se define filosoficamente, acaba por assumir a filosofia reinante, o que é próprio da esmagadora maioria das pessoas. Se olharmos a colonização americana e a brasileira, vemos duas propostas completamente diferentes – enquanto os colonos americanos vieram para o novo continente para construir um país, no Brasil, as pessoas vinham para enriquecer e poder voltar para Europa. Uma pequena diferença de concepção, que acabou fazendo toda a diferença.


No caso do Laranjal, é possível observar esta diferença em relação ao resto do município. Pelotas é dividida em bairros, mas o Laranjal sempre foi um “balneário”. Era um lugar para ser “rústico”, de veraneio, temporário. A colônia Z3, então, nem se fala.


Recentemente, parece que esta realidade está mudando. A pressão mobiliária e empresarial está forçando o pensamento geral à mudança. O Laranjal, aparentemente, está começando a ser pensado como bairro, embora ainda timidamente.


Ainda há muito a ser feito. Ainda não temos, por exemplo, uma entidade empresarial do Laranjal, embora haja em outros bairros. Não temos um planejamento de longo prazo e, nem sequer, uma proposta estratégica para o Laranjal. Em consequência, há uma evidente necessidade de mudarmos nossa concepção sobre o espaço que ocupamos e consolidarmos efetivamente esta visão diferenciada – uma pequena e abstrata mudança, mas que certamente definirá o futuro deste espaço.

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